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Como fica o estômago depois da Cirurgia Bariátrica?

Como fica o estômago depois da Cirurgia Bariátrica?

O tratamento cirúrgico da obesidade mórbida, quando indicado, pode ser realizado por duas técnicas distintas, ambas podendo ser realizadas por via laparoscópica ou robótica, e que alteram de maneira diferente a anatomia normal do paciente para promover o emagrecimento. São elas o By-pass Gástrico em Y-de-Roux e a Gastrectomia Vertical (Sleeve), não havendo diferença nos riscos para o paciente e sua escolha envolve fatores específicos para cada caso e avaliação do cirurgião para a melhor técnica a ser empregada.

No By-pass, o estômago que possui um volume estimado em 1000 ml (que pode aumentar no momento da alimentação), é reduzido a um volume de 25 ml (aproximadamente meio copo de café), através do uso de grampeadores cirúrgicos, formando uma pequena bolsa chamada de “pouch”. O restante do estômago (chamado “estômago excluso”) continua no abdome do paciente e ao lado no novo estômago reduzido, no entanto os alimentos são desviados e não passam mais por ele. A produção de suco gástrico no estômago excluso continua, e seguirá pelo duodeno até unir-se ao alimento mais abaixo no intestino.

A avaliação endoscópica do estômago no pré-operatório é fundamental, já que a maior parte do estômago antigo não poderá ser visualizada por endoscopia tradicional. Se necessário, este acesso poderá ser feito através de cirurgia. A cicatrização ocorre no primeiro mês, atingindo sua melhor resistência após cerca de 4 semanas, daí a importância da dieta líquida indicada neste período.

Como o estômago excluso não é retirado, o by-pass é considerada uma cirurgia reversível, no entanto é um procedimento muito raramente indicado, e apresenta riscos muito mais elevados. A dilatação do pequeno estômago formado pode ocorrer, mas de forma mínima e não afeta os resultados na perda de peso. Em alguns pacientes, eram utilizados anéis ao redor do “pouch”, para aumentar a restrição na alimentação, mas estes caíram em desuso, e não são mais empregados nas técnicas atuais.

Na Gastrectomia Vertical, o estômago é reduzido de 1000 ml para aproximadamente 200 ml ou menos (cerca de 20% do total permanece), através da retirada do fundo e do corpo do estômago, também com uso de grampeadores cirúrgicos. Não há desvio na passagem de alimentos, e não há estômago excluso, já que há a retirada do excesso de estômago grampeado, não havendo, portanto, reversibilidade.

Pode ocorrer dilatação do estômago que permanece, em um grau um pouco maior que no by-pass, e a cicatrização ocorre também em cerca de 4 semanas, havendo necessidade de dieta líquida neste período.

Para os dois tipos de cirurgia, a perda de peso não se dá apenas pela restrição de ingestão de alimentos ou por dificuldade de absorção gerada pelos desvios intestinais no by-pass, mas também por um efeito metabólico importante. Há redução na produção de grelina (conhecido como hormônio da fome), além de alterações de outros hormônios relacionados, o que gera um aumento na saciedade do paciente, contribuindo significativamente na ocorrência e manutenção da perda de peso.

Apesar das restrições de volume e absorção de alimentos ocasionadas pela cirurgia, a quantidade de nutrientes e calorias que os pacientes conseguem absorver é suficiente para a manutenção das funções vitais e atividades dos pacientes. Há um efeito importante sobre a absorção de vitaminas e micronutrientes, como vitamina B e Ferro, e por isso, em ambos os tipos de cirurgia, o paciente necessitará de suplementação com polivitamínicos de forma permanente.

(Dr. Nathan Rostey CRM 180.456)

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