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Diferença entre efeito platô e recidiva de obesidade

O paciente que se submete a cirurgia de obesidade passa por um período de emagrecimento intenso após o procedimento, que acontece geralmente num período de 18 meses após a cirurgia e é muito expressivo nos primeiros 6 meses. A perda de peso não é o principal objetivo da cirurgia, e sim a melhora do estado de saúde geral do paciente e o combate as comorbidades relacionadas a obesidade, porém o emagrecimento é o principal mecanismo de ação da melhora do estado de saúde dos pacientes.

A quantidade de peso perdida em decorrência dos tratamentos cirúrgicos varia de acordo com as técnicas cirúrgicas escolhidas, assim como do comprometimento do paciente com a mudança de estilo de vida que este tratamento exige. Geralmente oscila entre 35% a 50% do peso do paciente, atingindo seu auge pelo menos após 1 ano da cirurgia.

Após esse período maior de emagrecimento, é comum que os pacientes reganhem certa quantidade de peso. É aceitável que este reganho gire em torno de 10-15% do peso mínimo atingido e pode acontecer até 5 anos após a cirurgia, e ocorre devido a diversos fatores como vida sedentária, baixa aderências a alimentação saudável, alterações hormonais diversas, além de falta de seguimento multiprofissional no pós-operatório.

A obesidade é considerada uma doença crônica, portanto reganho de peso maiores que o esperado podem ocorrer. É neste contexto que entra a recidiva de obesidade. A SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica) considera recidiva de obesidade ou falha de tratamento, ganhos de peso igual ou maiores a 50% do peso perdido com a cirurgia ou ganhos de 20% associados a retorno de comorbidades relacionadas ao excesso de peso, como hipertensão e diabetes. O tratamento da recidiva é geralmente mais complexo que o tratamento inicial, e novos procedimentos cirúrgicos raramente são indicados. Nestes casos uma reavaliação completa do paciente, além de acompanhamento nutricional, metabólico e psicológico são os mais indicados.

O efeito platô ocorre em qualquer processo de emagrecimento, sendo ele cirúrgico ou não (dietas e tratamento com medicamentos). Se dá por uma estabilização da perda de peso, quando há um equilíbrio entre a diminuição no consumo de calorias pelo indivíduo e o gasto calórico. Portanto não é uma falha no tratamento ou um reganho, e sim um processo normal e esperado na perda de peso de qualquer indivíduo, mesmo naqueles submetidos a cirurgia. Nos pacientes operados tende a ocorrer mais tardiamente no processo de perda de peso, já que há uma limitação maior na quantidade de alimentos ingeridos ocasionada pelas mudanças provocadas pela cirurgia bariátrica.

Portanto, o efeito platô ocorrerá sempre, e não constitui falha de tratamento, mas sim um processo esperado, e quando ocorre antes do previsto nos pacientes operados, deverá ser investigado para que os melhores resultados possam ser atingidos. Já a recidiva de obesidade é um desfecho ruim, e deve ser prevenida com acompanhamento multiprofissional constante durante toda a vida do paciente.

 

Dr. Nathan Rostey

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